Jornalismo literocientífico
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9.18.2011
* SEXAGENÁRIO, NÃO. SEXYGENÁRIO,SIM.
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Jornalismo literocientífico
Envelhecer, para mim, pesou mesmo aos 49 anos quando descobri que era hipertenso, ai começou um processo marcado por remédios para controlar a pressão arterial. Puts!... Experimentei um, outro e mais outro, até acertar o que não interferisse tanto na minha vida, com seus efeitos colaterais temidos pelos homens.
Ah, sim, a calvicie. O medo de ficar muito calvo, começou logo depois dos 30; bastava pentear os cabelos para perceber a perda deles. Mas, logo pararam de cair. Fiquei com a cabeleira mais rala e, hoje em dia, minha calvície está controlada e a cabeça nem tão grisalha assim. Por isso, quando as pessoas tentam adivinhar minha idade, geralmente me dão menos. Agradeço. Mas, como a lei da gravidade batendo de “goleada”, continuo ativo em busca da tal e tão necessária “levantada”. Dia e noite não penso em outra coisa: cuidar da saúde da forma mais saudável possível, para não me sentir tão “rodado” assim.
Não tem jeito, são perdas anatômicas que começam lá na infância: dos dentes de leite ao vigor da mocidade. Todos os seres vivos estamos sujeitos às perdas; algumas nos provocam mudanças repentinas como despertar de um pesadelo. Agora, aos 59, tive um Acidente Vascular Cerebral, esquemia que me levou a conviver com um Stent implantado na artéria vertebral esquerda, precisamente, a suboclusiva na transição cervical para intracraniana. Boa chance dada pelo moço lá de cima.
Sem dúvida, para mim, um raio de sol em uma manhã tempestuosa, sinalizando entrada triunfante na terceira idade. E, de acordo com Neruda, mais um motivo para não evitar uma paixão e seu redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços. Afinal, a vida segue. Ainda tenho bastante tempo para correr atrás e recarregar as energias sempre; espero. Meu corpo é minha casa, meu templo.
No meu último aniversário, nesse mês de março, quando completei 60 anos de vida, o que mais ouvi da turma era que eu estava “inteiraço”. Será? De qualquer forma uma maneira delicada de dizer que não estou tão mal assim.
Obrigados a todos.
• FBN© 2009 * SEXAGENÁRIO, NÃO. SEXYGENÁRIO,SIM. Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: crônica, publicada em 20.03.2009 – Jornal Livre.
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Welington Almeida Pinto
- Bom dia.
- Bom dia, doutor.
- Xavier Joaquim José da Silva?
- Sim.
- Senta-se, por favor – pede o médico.
- Obrigado.
- Quantos anos você tem?
- 58.
- Profissão?
- Cronista de vocação. Dentista de profissão.
- Casado?
- Separado.
- Há quanto tempo?
- Quase um ano.
- Quantos filhos?
- Três. Todos adultos.
- Como foi o processo de separação?
- Meio..., meio..., como quase todas: meio traumático.
- E agora?
- Os filhos se aproximam aos poucos.
- Fuma?
- Não.
- Bebe?
- Pouco. Socialmente.
- Toma algum remédio controlado?
- Para a pressão: Enalapril.
- Que dosagem?
- Dez miligramas.
- Ótimo. Tem companheira estável?
- Sim.
- Qual a idade dela?
- Pouco mais nova do que eu.
- Ótimo. Apaixonados? – brinca o médico.
- Uma paixão madura. Minha parceira é paciente, interessada.
- Positivo. A motivação de uma pessoa apaixonada é enorme, porque o cérebro passa a ter um sistema de recompensa muito mais ativo. Sabe disso, ‘né?
- Sim. Como também sei que beijos e abraços fazem bem à mente, verdade?
- Claro. A pele é o instrumento de conexão entre seres humanos. Tudo que ela manda ao cérebro ele percebe.
- Legal.
- Muito bem, muito bem, o que mais o preocupa?
- Dificuldades em manter a ereção.
- Há quanto tempo?
- De pouco tempo p’ra cá. Nunca aconteceu antes.
- Nada de anormal. A partir dos 40 anos pode ocorrer diminuição do desejo, da atividade e da resposta sexual em homem e mulheres.
- Hummm... Muito cedo, não?
- Talvez. Bom saber que, quando esse órgão deixa de funcionar bem, provavelmente, existe um fator físico por traz do problema. Bom termômetro de qualidade de vida, tão importante que é considerado guardião da saúde masculina.
- Sério.
- No sentido de esclarecer que carências sexuais podem produzir doenças físicas e psicológicas, cada dia, mais estudos da sexualidade e de seu impacto sobre outras dimensões vitais do ser humano são apresentados pela Organização Mundial de Saúde.
- Entendo. E no meu caso, doutor?
- É o que vamos ver.
- Quanto antes melhor. Ainda sou daqueles que pensam que, entre duas almas de gêneros diferentes, a ponte que liga a relação é um falo bem ativo.
- Ah, meu caro, não é bem assim... Numa relação amorosa a ponte que liga pode e deve ser a do companheirismo, do carinho e, principalmente, do amor amigo.
- Tem sentido.
- Disfunção erétil, ejaculação precoce, dificuldade em segurar a liberação do sêmem, representam 40% das queixas de homens entre vinte e quarenta anos.
- Como assim?
- Problemas vasculares são os primeiros sintomas que levam a perda de qualidade de ereção ou ejaculação precoce. Portanto, tratar da disfunção sem pesquisar suas causas pode camuflar questões mais sérias.
- Claro.
- Primeira consulta com um andrologista?
- Sim.
- Muito bem.
- Tem a ver com o psicológico?
O médico fecha o sorriso:
- Cada caso é um caso. Fluoxetina, Paroxetina, Clrorimipramina, entre outros receitados contra depressão, que muitos urologistas indicam em doses menores para tratamento de ejaculação precoce, eu não aconselho de imediato. Primeiro, temos que investigar e avaliar bem o estado do paciente.
- Sim.
- Até porque são pílulas que provocam a diminuição da libido, mas aumentam o período entre a excitação e a ejaculação para alguns minutos a mais de prazer.
- Ah, é?
- Os efeitos colaterais são muitos, como secura na boca, sonolência, insônia, tremores, náuseas, alucinações, oscilações do humor, dor de cabeça, rinite, vermelhidão facial, azia e por aí vai. Se puder evitar, melhor.
- Vixe!
- Não se preocupe, meu caro, porque todo mundo tem problemas sexuais. Vamos fazer o melhor para sua saúde com medicamentos específicos. Isto é, na dose certa.
- Viagra?
- Se for o caso, sim. Já fez uso de alguma droga antiimpotência?
- Com ela, sim. Antes, nunca.
- E aí?
- Tomo meio comprimido de cinqüenta miligramas.
- E aí?
- A resposta é boa.
- Ótimo. Nada de errado em um homem recorrer à química para melhorar seu desempenho numa hora desta. Não quer dizer que deva fazer uso da droga sem acompanhamento de um clínico.
- Certo.
O médico tira os óculos.
- Cialis, Viagra, Vivanza e Helleva são vasodilatadores e agem relaxando a musculatura peniana, o que provoca a entrada de mais sangue, facilitando o desempenho. São tão eficientes que vem fazendo mais pela humanidade do que décadas de marxismo.
- Eu sei.
- Tão eficientes que o laboratório Eli Lilly, imaginando tratar o distúrbio como uma doença crônica a ser medicada todo dia, lançou a versão ‘Cialis em dose diária’, para aqueles que não querem fazer sexo com hora marcada.
- Bom, hein?
- Estima-se que a disfunção erétil atinge, em algum grau, cerca de 50% dos homens entre 40 e 70 anos, principalmente, quando acometidos por doenças que afetam a circulação do sangue no corpo. É o caso da hipertensão, obesidade, diabete e colesterol que são os principais responsáveis pela disfunção, mesmo com a libido e o desejo nas alturas.
Xavier surpreso:
- Sinal que tem mais gente precisando deles que a gente imagina.
- Pelas pesquisas, 62% dos homens a partir dos 40 anos usam remédio antes de uma relação. E mais: 69% deles são casados.
- Tudo isso?
- Nada menos. Portanto, o sucesso dos antiimpotência é merecido.
- Iche!...
- Na maioria são casos reversíveis. Só tratar.
- E quando nem os viagras da vida resolvem?
- Também tem jeito: prótese ou injeção intracavernosa, como Cervejet e Aplicav.
- Ainda, não é o meu diagnóstico, creio.
- Nem pense nisso.
- Melhor.
- O corpo, Joaquim José, é uma máquina que tem seus desgastes com o passar dos anos. Aqueles que, desde a juventude, deram pouco valor à qualidade de vida, mais tarde pagam caro por isso.
- Meu caso.
- Pois bem, seja coerente com seu corpo e deixe de querer que tudo funcione como se tivesse ainda com 20 ou 30 anos, como se fosse um atleta sexual, certo?
- Certo.
- Dos pacientes em meu consultório, ao contrário do que se pensa, a maioria deles não quer se tornar um atleta sexual. Nada disso. A intenção é apenas satisfazer a si e a companheira.
- Posso fazer uma pergunta indiscreta, responda se quiser.
- Sim.
- O profissional que receita remédios para disfunção também faz uso deles?
- Claro. Agora, toma a guia para fazer os exames de laboratório.
E sorrindo para o paciente:
- Para quem tem mais de cinqüenta anos, deve dominar as forças negativas e nelas colocar arreios, porque, elas podem funcionar em seu benefício. Entende?
- Cinqüenta anos!... Lembrei de uma entrevista com o escritor Zeunir Ventura, que disse:... Para alguém que tem 50 anos, transar é transar um pouquinho, parar, recomeçar, recolocar, se beijar...
- É isso. Sexo, para ser bom, precisa ser feito com o corpo todo, inclusive com a cabeça. Ele está certo.
- Então, continuo tomando sildenafila?
- Por enquanto, sim: meio comprimido de 50. Dá mais confiança, não é mesmo? Evite tomar o medicamento depois de um almoço farto para não dificultar a absorção pelo organismo. Lembre-se que álcool também não combina com os antiimpotência.
- Tudo bem.
- Cuide-se.
- Sim.
- Bem. Aguardo os exames, vai sossegado – encerra o médico.
- Obrigado, doutor.
• FBN© 2007 * CIALIS AGORA É REMÉDIO PARA TODO DIA - Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Crônica– obra de ficção (qualquer semelhança com pessoas, fatos ou situações reais, terá sido mera coincidência).
Fontes: Corpo médico da Urológica/BH, Laboratórios Eli Lilly (Cialis), Pfizer (Viagra), Bayer (Levitra),
* O Autor e sua Obra
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Welington Almeida Pinto
Mineiro de São Roque. Apaixona-se desde cedo por livros, pela poesia, por personagens históricos e literários. Em 1971, conclui seus estudos em Passos, Minas, e transfere-se para Belo Horizonte, empregando-se no departamento contábil de uma empresa imobiliária, sem abandonar o gosto pela leitura dos grandes clássicos da literatura universal e a prática de Escritor e Jornalista.
Entusiasmado com o movimento cultural da Capital frequenta as reuniões da Academia Mineira de Letras e outras instituições culturais. Estimulado pela criação literária visita cidades da Europa e das Américas. De 1972 a 1976, Estuda no Centro de Pesquisas de Artes Plásticas da ACM, especializa-se em Publicidade e funda sua Agência.
No Teatro, produz ‘A Cela’, de sua autoria. Depois adapta e monta ‘Flicts’, de Ziraldo, como peça adulta, ambas dirigidas por Luciano Luppi. Participa da equipe de produção do espetáculo ‘A Noite dos Assassinos’, de José Triana, dirigida por Paulo Cesar Bicalho. Adapta ‘O Pequeno Príncipe’, de Antoine Saint-Exupery, para teatro infanto-juvenil, com trilha sonora de Fernando Boca e direção de Noema Tedesco. Publica Aula-Viva, com 6 scripts temáticos da História do Brasil para aplicação em Sala de Aula.
Eleito para o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, associa-se também à UBE – União Brasileira dos Escritores/São Paulo,SP, à ABRALE-Associação Brasileira de Autores de Livros Educativos/São Paulo,SP e à AEI-LEJ - Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil/Rio de Janeiro.
Publicou contos infantis no Gurilândia, do jornal ‘Estado de Minas’, Belo Horizonte, ‘Zero Hora Infantil’, Porto Alegre e ‘Gazetinha’, do Gazeta do Paraná, Curitiba.
Livros Publicados
Literatura infantil - Coleção Infantil Vitória Régia/Edita, 1997: ‘A Águia e o Coelho’ – ‘Clin-Clin, o Beija-Flor Mágico’ – ‘Tuffi, o Elefante Equilibrista’ – ‘Seu Coelhino, em Viagem ao Sol’ – ‘O Gato do Mato e o Preá’ e ‘A Caçada’ e ‘O Ataque do Furadentes’.
Literatura Infanto/Juvenil/Edições Brasileiras/1998: ‘Malta, o Peixinho Voador no São Chico’ – ‘Santos-Dumont, no Coração da Humanidade’ – ‘A Saga do Pau-Brasil’.
Literatura Adulta/Helbra/1969: ‘A Cela’ - Antologia Poética/2008 – ‘O Voo do Pássaro Dourado’.
Toponímia/Edita, 1987: ‘Dicionário Geográfico e Histórico do Estado de Minas Gerais’ – Edita, 1986 – ‘Dicionário Geográfico e Histórico do Estado de São Paulo’
Legislação Brasileira/Edições Brasileiras/1993: ‘Condomínio e suas Lei’s – ‘Licitações e Contratações Administrativas’ – ‘A Empregada Doméstica e suas Leis’ – ‘Lei do Inquilinato’ – ‘Assédio Sexual no Local de Trabalho’.
Dramaturgia/Edita/1978.: ‘A Cela’ – peça adulta, adaptação do livro do mesmo nome – ‘Flicts ‘- adaptação do livro “Flicts”, de Ziraldo – ‘Pequeno Príncipe’ - adaptação do livro “O Pequeno Príncipe”, de Saint Exupéry – ‘História do Brasil, em Aula Viva’ - adaptação de temas históricos para teatro, aplicados em sala de aula -
Homes na internet: welingtonpinto.blogspot.com – vários livros disponíveis rentabilizados pelo sistema Google Ad Sense. E-mail: welingtonapinto@gmail.com ; welingtonapinto@yahoo.com.br -
O AUTOR POR ELE MESMO:
Quando cheguei ao mundo, no ano de 1949, a 18 de março, a cegonha trouxe junto um anjo. E deixou um recado com a parteira: ... ele vai precisar, sempre. Ao tomar meu primeiro banho, soltei um grito e quase caí das mãos de minha bisavó. Creio que foi um grito e um gesto de alegria, aplaudindo a vida.
Aos dez, onze anos descobri a leitura através das obras de Vicente Guimarães ( Vovô Felício), Monteiro Lobato e outros. A partir daí comecei a construir meu universo de palavras, letra a letra, pondo em ordem aquele emaranhado de ideias que fervilhavam em minha cabeça.
Por volta dos anos 70, apaixonado pela cultura, mudei-me para Belo Horizonte, onde imaginava cursar gratuitamente uma boa universidade. Logo percebi que isso era privilégio para poucos.
Autodidata, mergulhei cedo na literatura e no jornalismo, e depois na publicidade, quando iniciei a publicar meus livros. Meu anjo!?... Nem torto nem reto me ensinou a sorver a vida como quem saboreia uma poesia, mesmo que, às vezes, concreta demais.
* Encontro na Literatura o compromisso de uma obrigação que há anos venho lutando para cumprir. Welington
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