9.18.2011

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Jornalismo literocientífico
PRAZER DIÁRIO COM CIALIS
Welington Almeida Pinto
- Bom dia.
- Bom dia, doutor.
- Xavier Joaquim José da Silva?
- Sim.
- Senta-se, por favor – pede o médico.
- Obrigado.
- Quantos anos você tem?
- 58.
- Profissão?
- Cronista de vocação. Dentista de profissão.
- Casado?
- Separado.
- Há quanto tempo?
- Quase um ano.
- Quantos filhos?
- Três. Todos adultos.
- Como foi o processo de separação?
- Meio..., meio..., como quase todas: meio traumático.
- E agora?
- Os filhos se aproximam aos poucos.
- Fuma?
- Não.
- Bebe?
- Pouco. Socialmente.
- Toma algum remédio controlado?
- Para a pressão: Enalapril.
- Que dosagem?
- Dez miligramas.
- Ótimo. Tem companheira estável?
- Sim.
- Qual a idade dela?
-  Pouco mais nova do que eu.
- Ótimo. Apaixonados? – brinca o médico.
- Uma paixão madura. Minha parceira é paciente, interessada.
- Positivo. A motivação de uma pessoa apaixonada é enorme, porque o cérebro passa a ter um sistema de recompensa muito mais ativo. Sabe disso, ‘né?
- Sim. Como também sei que beijos e abraços fazem bem à mente, verdade?
- Claro. A pele é o instrumento de conexão entre seres humanos. Tudo que ela manda ao cérebro ele percebe.
- Legal.
- Muito bem, muito bem, o que mais o preocupa?
- Dificuldades em manter a ereção.
- Há quanto tempo?
- De pouco tempo p’ra cá. Nunca aconteceu antes.
- Nada de anormal. A partir dos 40 anos pode ocorrer diminuição do desejo, da atividade e da resposta sexual em homem e mulheres.
- Hummm... Muito cedo, não?
- Talvez. Bom saber que, quando esse órgão deixa de funcionar bem, provavelmente, existe um fator físico por traz do problema. Bom termômetro de qualidade de vida, tão importante que é considerado guardião da saúde masculina.
- Sério.
- No sentido de esclarecer que carências sexuais podem produzir doenças físicas e psicológicas, cada dia, mais estudos da sexualidade e de seu impacto sobre outras dimensões vitais do ser humano são apresentados pela Organização Mundial de Saúde.
- Entendo. E no meu caso, doutor?
- É o que vamos ver.
- Quanto antes melhor. Ainda sou daqueles que pensam que, entre duas almas de gêneros diferentes, a ponte que liga a relação é um falo bem ativo.
- Ah, meu caro, não é bem assim... Numa relação amorosa a ponte que liga pode e deve ser a do companheirismo, do carinho e, principalmente, do amor amigo.
- Tem sentido.
- Disfunção erétil, ejaculação precoce, dificuldade em segurar a liberação do sêmem, representam 40% das queixas de homens entre vinte e quarenta anos.
- Como assim?
- Problemas vasculares são os primeiros sintomas que levam a perda de qualidade de ereção ou ejaculação precoce. Portanto, tratar da disfunção sem pesquisar suas causas pode camuflar questões mais sérias.
- Claro.
- Primeira consulta com um andrologista?
- Sim.
- Muito bem.
- Tem a ver com o psicológico?
O médico fecha o sorriso:
- Cada caso é um caso. Fluoxetina, Paroxetina, Clrorimipramina, entre outros receitados contra depressão, que muitos urologistas indicam em doses menores para tratamento de ejaculação precoce, eu não aconselho de imediato. Primeiro, temos que investigar e avaliar bem o estado do paciente.
- Sim.
- Até porque são pílulas que provocam a diminuição da libido,  mas aumentam o período entre a excitação e a ejaculação para alguns minutos a mais de prazer.
- Ah, é?
- Os efeitos colaterais são muitos, como secura na boca, sonolência, insônia, tremores, náuseas, alucinações, oscilações do humor, dor de cabeça, rinite, vermelhidão facial, azia e por aí vai. Se puder evitar, melhor.
- Vixe!
- Não se preocupe, meu caro, porque todo mundo tem problemas sexuais. Vamos fazer o melhor para sua saúde com medicamentos específicos. Isto é, na dose certa.
- Viagra?
- Se for o caso, sim. Já fez uso de alguma droga antiimpotência?
- Com ela, sim. Antes, nunca.
- E aí?
- Tomo meio comprimido de cinqüenta miligramas.
- E aí?
- A resposta é boa.
- Ótimo. Nada de errado em um homem recorrer à química para melhorar seu desempenho numa hora desta. Não quer dizer que deva fazer uso da droga sem acompanhamento de um clínico.
- Certo.
O médico tira os óculos.
- Cialis, Viagra, Vivanza e Helleva são vasodilatadores e agem relaxando a musculatura peniana, o que provoca a entrada de mais sangue, facilitando o desempenho. São tão eficientes que vem fazendo mais pela humanidade do que décadas de marxismo.
- Eu sei.
- Tão eficientes que o laboratório Eli Lilly, imaginando tratar o distúrbio como uma doença crônica a ser medicada todo dia, lançou a versão ‘Cialis em dose diária’, para aqueles que não querem fazer sexo com hora marcada.
- Bom, hein?
- Estima-se que a disfunção erétil atinge, em algum grau, cerca de 50% dos homens entre 40 e 70 anos, principalmente, quando acometidos por doenças que afetam a circulação do sangue no corpo. É o caso da hipertensão, obesidade, diabete e colesterol que são os principais responsáveis pela disfunção, mesmo com a libido e o desejo nas alturas.
Xavier surpreso:
- Sinal que tem mais gente precisando deles que a gente imagina.
- Pelas pesquisas, 62% dos homens a partir dos 40 anos usam remédio antes de uma relação. E mais: 69% deles são casados.
- Tudo isso?
- Nada menos. Portanto, o sucesso dos antiimpotência é merecido.
- Iche!...
- Na maioria são casos reversíveis. Só tratar.
- E quando nem os viagras da vida resolvem?
- Também tem jeito: prótese ou injeção intracavernosa, como Cervejet e Aplicav.
- Ainda, não é o meu diagnóstico, creio.
- Nem pense nisso.
- Melhor.
- O corpo, Joaquim José, é uma máquina que tem seus desgastes com o passar dos anos. Aqueles que, desde a juventude, deram pouco valor à qualidade de vida, mais tarde pagam caro por isso.
- Meu caso.
- Pois bem, seja coerente com seu corpo e deixe de querer que tudo funcione como se tivesse ainda com 20 ou 30 anos, como se fosse um atleta sexual, certo?
- Certo.
- Dos pacientes em meu consultório, ao contrário do que se pensa, a maioria deles não quer se tornar um atleta sexual. Nada disso. A intenção é apenas satisfazer a si e a companheira.
- Posso fazer uma pergunta indiscreta, responda se quiser.
- Sim.
- O profissional que receita remédios para disfunção também faz uso deles?
- Claro. Agora, toma a guia para fazer os exames de laboratório.
E sorrindo para o paciente:
- Para quem tem mais de cinqüenta anos, deve dominar as forças negativas e nelas colocar arreios, porque, elas podem funcionar em seu benefício. Entende?
- Cinqüenta anos!... Lembrei de uma entrevista com o escritor Zeunir Ventura, que disse:... Para alguém que tem 50 anos, transar é transar um pouquinho, parar, recomeçar, recolocar, se beijar...
- É isso. Sexo, para ser bom, precisa ser feito com o corpo todo, inclusive com a cabeça. Ele está certo.
- Então, continuo tomando sildenafila?
- Por enquanto, sim: meio comprimido de 50. Dá mais confiança, não é mesmo? Evite tomar o medicamento depois de um almoço farto para não dificultar a absorção pelo organismo. Lembre-se que álcool também não combina com os antiimpotência.
- Tudo bem.
- Cuide-se.
- Sim.
- Bem. Aguardo os exames, vai sossegado – encerra o médico.
- Obrigado, doutor.


• FBN© 2007 * CIALIS AGORA É REMÉDIO PARA TODO DIA - Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: Crônica– obra de ficção (qualquer semelhança com pessoas, fatos ou situações reais, terá sido mera coincidência).

Fontes: Corpo médico da Urológica/BH, Laboratórios Eli Lilly (Cialis), Pfizer (Viagra), Bayer (Levitra),

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