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Jornalismo literocientífico
Envelhecer, para mim, pesou mesmo aos 49 anos quando descobri que era hipertenso, ai começou um processo marcado por remédios para controlar a pressão arterial. Puts!... Experimentei um, outro e mais outro, até acertar o que não interferisse tanto na minha vida, com seus efeitos colaterais temidos pelos homens.
Ah, sim, a calvicie. O medo de ficar muito calvo, começou logo depois dos 30; bastava pentear os cabelos para perceber a perda deles. Mas, logo pararam de cair. Fiquei com a cabeleira mais rala e, hoje em dia, minha calvície está controlada e a cabeça nem tão grisalha assim. Por isso, quando as pessoas tentam adivinhar minha idade, geralmente me dão menos. Agradeço. Mas, como a lei da gravidade batendo de “goleada”, continuo ativo em busca da tal e tão necessária “levantada”. Dia e noite não penso em outra coisa: cuidar da saúde da forma mais saudável possível, para não me sentir tão “rodado” assim.
Não tem jeito, são perdas anatômicas que começam lá na infância: dos dentes de leite ao vigor da mocidade. Todos os seres vivos estamos sujeitos às perdas; algumas nos provocam mudanças repentinas como despertar de um pesadelo. Agora, aos 59, tive um Acidente Vascular Cerebral, esquemia que me levou a conviver com um Stent implantado na artéria vertebral esquerda, precisamente, a suboclusiva na transição cervical para intracraniana. Boa chance dada pelo moço lá de cima.
Sem dúvida, para mim, um raio de sol em uma manhã tempestuosa, sinalizando entrada triunfante na terceira idade. E, de acordo com Neruda, mais um motivo para não evitar uma paixão e seu redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos e os corações aos tropeços. Afinal, a vida segue. Ainda tenho bastante tempo para correr atrás e recarregar as energias sempre; espero. Meu corpo é minha casa, meu templo.
No meu último aniversário, nesse mês de março, quando completei 60 anos de vida, o que mais ouvi da turma era que eu estava “inteiraço”. Será? De qualquer forma uma maneira delicada de dizer que não estou tão mal assim.
Obrigados a todos.
• FBN© 2009 * SEXAGENÁRIO, NÃO. SEXYGENÁRIO,SIM. Autor: Welington Almeida Pinto - Categoria: crônica, publicada em 20.03.2009 – Jornal Livre.

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